
Escolher um smartphone não é apenas decidir entre marcas ou preços. Por trás da tela, o sistema operacional pode ajudar a determinar o desempenho, vida útil do aparelho, nível de personalização e até a quantidade de aplicativos que vêm instalados de fábrica.
Android e iOS concentram a maioria do mercado, enquanto o HarmonyOS, da Huawei, é uma alternativa "mais restrita" a alguns países e ecossistemas específicos. Na prática, todos cumprem a mesma função, rodam aplicativos, gerenciam recursos e conectam o usuário à internet.
Mas são as diferenças entre esses sistemas que ajudam a entender por que um iPhone costuma manter desempenho estável por mais tempo, enquanto celulares Android oferecem mais liberdade de customização, mas enfrentam maior fragmentação de atualizações.
— O primeiro ponto é entender por que esses sistemas existem. O iOS é um sistema proprietário da Apple, criado para funcionar exclusivamente com um hardware que também é desenhado pela própria empresa — explica o especialista em tecnologia Wally Niz.
iOS traz integração entre software e hardware
No caso do iOS, a Apple controla toda a cadeia: do chip ao sistema operacional. É justamente essa integração que permite que o software seja otimizado especificamente para cada componente do aparelho, incluindo a própria loja do aparelho, a App Store.
— O driver de som, o driver de vídeo, toda a comunicação do sistema é feita pensando naquele hardware específico. Isso faz com que o iPhone consiga entregar bom desempenho mesmo com especificações técnicas inferiores às de muitos Android — afirma Niz.
Essa proximidade entre software e hardware também explica por que os iPhones costumam "envelhecer melhor" em termos de desempenho.
— Muitas pessoas trocam de iPhone mais por causa da bateria do que por lentidão. Mesmo com atualizações, o sistema não perde performance de forma tão perceptível — explica.
Outro efeito desse modelo fechado é a padronização das atualizações: quando uma nova versão do iOS é lançada, ela chega ao mesmo tempo, para todos os modelos compatíveis. Isso porque a Apple define uma data e atualiza todos os aparelhos no mesmo dia, do modelo mais novo ao mais antigo que continua no suporte.
Android tem sistema aberto
O Android segue um caminho oposto ao da Apple. Desenvolvido pela Google como um sistema de código aberto, ele pode ser adaptado livremente por fabricantes como Samsung, Motorola, Xiaomi, Jovi e OPPO. Além disso, assim com o iOS, traz sua própria loja, a Play Store.
Ele é open source. Isso significa que qualquer fabricante pode pegar o código, modificar e adaptar ao seu hardware sem custo, explica o especialista.
Assim, cada fabricante precisa adaptar a nova versão do Android ao seu hardware. Um Galaxy S25 Ultra, por exemplo, recebe atualização em uma data, enquanto um modelo intermediário tende a receber meses depois.
Além disso, numa mesma fabricante, há dezenas de configurações diferentes de hardware, tornando o processo mais lento. Desta forma, é muito mais complexo suportar centenas de modelos diferentes do que três ou quatro versões de iPhone, diz o especialista.
Por que alguns celulares "envelhecem mais rápido"?

A necessidade de adaptação de sistema para sistema ajuda a explicar por que atualizações de Android nem sempre chegam a todos os aparelhos.
Muitas vezes, modelos mais antigos deixam de receber novas versões porque o esforço para adaptar o sistema não compensa. E também existe, sim, um componente de obsolescência programada.
Segundo o especialista, mesmo quando o hardware ainda funciona bem, a incompatibilidade com versões mais recentes de aplicativos acaba forçando a troca do aparelho pelo usuário:
— Chega um momento em que o sistema não suporta mais os apps mais usados, e isso empurra o usuário para um celular novo.
Por que não existe "um Android só"?
A multiplicidade de interfaces, One UI, HyperOS, ColorOS, Hello UI, é outra consequência do caráter aberto do Android. A Samsung, por exemplo, tem o Knox, que envolve chips e camadas extras de segurança.
São essas pequenas particularidades que exigem modificações no sistema e, além da parte técnica, há também a construção de identidade.
— Cada fabricante busca criar uma experiência própria, com visual, recursos e serviços exclusivos. É por isso que o Android da Samsung é o One UI, o da Xiaomi é o HyperOS, e assim por diante — resume.
O chamado Android puro hoje é raro fora dos celulares Pixel, da Google, que funcionam como uma "vitrine" do que o sistema consegue fazer sem personalizações. Um tempo depois, muitas dessas funções testadas também acabam aparecendo nos celulares de outras marcas.
Riscos para públicos diferentes

Em termos de segurança, o cenário varia conforme o perfil do usuário. Para o usuário comum, o Android é mais suscetível a malware do que o iOS.
— Não porque seja inseguro, mas porque há mais aparelhos, mais lojas alternativas e um controle menos rígido na publicação de apps — explica Wally.
Por outro lado, no ambiente corporativo, o Android leva vantagem, segundo o especialista. Isso porque o Android Enterprise permite separar completamente o ambiente pessoal do corporativo no mesmo aparelho. Com isso, é possível ter dois WhatsApps, além de dois perfis, com políticas de segurança independentes.
Por que celulares Android vêm com tantos aplicativos instalados?
A presença de aplicativos pré-instalados, especialmente em celulares Android, também faz parte de uma estratégia comercial.
— São parcerias. O fabricante ganha para colocar determinados apps já instalados, e a empresa parceira ganha uma porta de entrada direta no celular do usuário — explica.
No caso da Apple, a estratégia adotada vai no caminho oposto.
— A Apple preza muito pela experiência do usuário, desde abrir a caixa até usar o aparelho. Eles evitam qualquer coisa invasiva porque sabem que isso gera rejeição, como foi quando a empresa inseriu automaticamente um álbum do U2 nos dispositivos anos atrás — finaliza.

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